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domingo, 7 de abril de 2013

O papa e a reabilitação do padre Cícero


Imagino que o Papa Francisco, não deva modificar o processo de reabilitação de padre Cícero, apesar de ser o primeiro papa latino, e suas inclinações por uma igreja mais desapegada aos bens materiais. Afinal o que envolve essa celeuma não está no âmbito religioso e sim político. Nosso “padim Ciço” foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, e exerceu uma forte influência política na região, como o episódio da sedição de Juazeiro. Além disso, após o Concílio Vaticano I (1869-1870), a “obediência” passou a ser algo bastante valorizado na igreja católica, e padre Cícero a partir do momento em que não avisou ao bispo do Ceará dom Joaquim Vieira, sobre o episódio do “milagre de Juazeiro” agiu de maneira desrespeitosa aos seus superiores. Como também o fanatismo das pessoas em torno do milagre não agradava os comandantes da igreja, simplesmente por fugir do seu controle. Podemos perceber também que essas questões políticas nunca foram o forte do Vaticano temos como exemplo o Tratado de Latrão de 1929 o qual o Papa Pio XI aceitou a criação de um país estado para a igreja em troca do silêncio perante o regime totalitário de Benito Mussolini na Itália, como também a omissão do Papa Pio XII seu sucessor em relação ao Nazismo de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Já existem especulações sobre o possível contato da presidenta da Argentina Cristina Kirchner para que o Papa Francisco interceda na questão da Ilhas Malvinas, pequeno arquipélago na América do Sul, o qual a Inglaterra exerce influência, e é reivindicado pela Argentina, mas como comentei esses assuntos são estranhos a Santa Sé que prefere navegar por oceanos mais calmos, afinal o período da idade média já serviu como lição para a Igreja católica que a união Estado e Igreja é prejudicial, a própria inquisição comprovou isso. Outro fator foi à própria eleição do Cardeal Mario Bergoglio para o papado, ao invés do Cardeal Brasileiro dom Odilo Scherer. Mostrando assim que a preocupação da Santa Sé, no momento não está cativar o maior país de católicos do mundo, mas reestruturar a maior religião monoteísta do mundo, abalada por escândalos de corrupção e casos de pedofilia, como também reavaliar conceitos em relação ao aborto, união homoafetiva e o uso de medidas contraceptivas. Acho que somente com um papa brasileiro esse processo possa ser realmente analisado com critérios válidos o qual a fé é o principal. Pois transformar um povoado em um dos maiores roteiros religiosos do mundo, é realmente um milagre!

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